Ainda é Tudo Seu

08/09/2014 § Deixe um comentário

Ainda tenho tantas coisas pra te dizer e saber
Você que sempre me ganha antes de me perder
Me faz ver
Em cada melodia e letra que eu vou escrever tem você
Sua boca me leva aonde vou me perder

Mesmo se não for pra sempre
Volto pra te buscar
Mesmo que eu siga em frente
Um dia eu vou te levar
Mas não vá

Ainda é tudo seu aqui
É tudo seu

As horas vivem com pressa e eu ando devagar
Segredos moram comigo eu gosto de contar pro céu
A vida inteira é muito pouco só pra começar desvendar
E quando os olhos se esquentam eu perco a direção e a razão

Mesmo se não for pra sempre
Volto pra te buscar
Mesmo que eu siga em frente
Um dia eu vou te levar
Mas não vá

Ainda é tudo seu aqui
É tudo seu

Mesmo se não for pra sempre
Volto pra te buscar
Mesmo que eu siga em frente
Um dia eu vou te levar
Mas não vá

Ainda é tudo seu aqui
É tudo seu

16/12/2013 § Deixe um comentário

4
“Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário, não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.”
<Caio F. Abreu>

Vida que segue.

01/09/2013 § Deixe um comentário

segue

“Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás”

Saudade do mundo (que vejo)

20/07/2013 § Deixe um comentário

(Para E.R.C)

download

Há saudades que caminham comigo aconchegadas num lugar gostoso que a memória tem. Sei que estão lá, mesmo quando demoro um bocado de tempo para apreciar as histórias que me contam. São porta-jóias que guardam encantos que não morrem. Caixinhas de música, que, ao serem abertas, derramam melodias que me fazem dançar com elas de novo. São saudades capazes de amenizar o frio de alguns instantes com os seus braços de sol. Mas existem também saudades que pousam no meu coração de vez em quando e ficam de lá me olhando com aquele olho comprido. Falam de lugares, pessoas ou épocas da minha vida. São espelhos que refletem feições conhecidas. São saudades que entornam perfumes que somente a alma reconhece. Que sobrevoam regiões por onde apenas as emoções caminham. Que destampam ausências que a gente algumas vezes prefere ignorar. São saudades de um mundo que tem cheiro de quintal lá da infância da gente. Que é macio para todos os seres que nem lençol recém-trocado. Que tem o timbre de voz amada quando toca o nosso ouvido. Um mundo bacana onde as pessoas têm clima de passeio. Onde não existem armas, visíveis ou não. Onde a gente vive com o sentimento de estar brincando de roda uns com os outros: se um leva um tombo reflete na roda inteira. São saudades de um mundo contente feito céu estrelado. Feito flor abraçada por borboleta. Feito café da tarde com bolinho de chuva. Onde a gente se sente tranquilo como se descansasse num cafuné. Onde, em vez de nos orgulharmos por carregar tanto peso, a gente se orgulha por ser capaz de viver com mais leveza. Um mundo onde as pessoas confiam umas nas outras, não pode ser de outro jeito se estamos em família na humanidade. Um mundo onde a culpa deixou de ser uma desculpa para não sermos felizes. São saudades de um mundo onde o respeito não tem cheiro de mofo: todos somos iguais e todos somos diferentes e isso é claro, natural e indiscutível. São saudades de um mundo que lembra a pureza de amarelinha desenhada com giz no terreno da escola. Que lembra a alegria de chegar no céu quando a gente pulava amarelinha. Que lembra a melodia gostosa da risada do amigo. Saudades de um mundo sem hipocrisia. Sem diz-que-me-diz-que. Sem jogo. Ninguém quer ferir ninguém, por nenhum motivo. As boas intenções são mesmo boas. Há em cada pessoa um cuidado, um bem-querer, um zelo amoroso, com relação a todas as outras, porque essa é a natureza do coração humano. Um mundo onde todas as formas de vida são abençoadas por todas as formas de vida. São saudades de um mundo onde a gente pode falar de coisas inocentes sem temer parecer ridículo. Onde podemos ser sensíveis e expressar a nossa sensibilidade sem sermos olhados como vítimas de uma doença grave. Onde a busca pelo conforto da alma é tão necessária quanto a busca pelo conforto do corpo. Onde podemos caminhar pelas ruas, descontraídos, sem temer ser atacados por outro ser humano. Um mundo no qual, em vez de propagar o medo, as pessoas utilizam a sua energia para propagar o amor. Saudades de um mundo que às vezes eu sinto tão intensamente que já parece de verdade. Já parece existir, de alguma forma. Um mundo no qual habito toda vez que eu o vejo.

 

 

(Ana Jácomo)

Com o tempo você irá me esquecer

25/05/2013 § 1 comentário

esquecer

Com o tempo você irá me esquecer, assim como se esquece as chaves sobre a mesa, como se esquece as tristezas num dia qualquer de domingo, como se esquece de observar as flores se abrindo na primavera, como esquece o celular dentro do carro. Você irá, e algum dia olhará para nós de um lugar já muito distante, mas um sentimento de ontem poderá se balançar. Esquecerá com a obrigação da tua nova vida, esquecerá porque é o que restará depois de inúmeras alternativas. Esquecerá da vontade de aquecer meus pés no inverno, esquecerá de procurar livros que ninguém tem, esquecerá as canções que escolhemos para eternizar nossas histórias, de comprar souvenir em todas as viagens para me presentear, esquecerá o som da nossa voz no meio da madrugada, esquecerá de viver o imprevisto que nos assaltava, esquecerá nossos desejos mais secretos: nossa boca com gosto de mel, nossos corpos embrulhados e enrolados em fita, nossa garganta arranhada das profundidades das palavras perdidas. Me esquecerá quando cruzar comigo em alguma rua, a distância envergonhará nossa nudez. Me esquecerá quando outra poesia te surpreender e te ler mais do que a mim. Me esquecerá fixando os olhos em outras costas, talvez em traços de tatuagens. Me esquecerá nos domingos, em outra sala, novos sofás, parecidos carinhos. Talvez também te esqueça. Penso (e sei que pensas) em quem, um dia, nos roubará de nós. O amanhã nos atravessará com a sua covardia. Sem perceber estaremos em mapas desiguais. Haverá saudade, haverá vontade e nada poderemos fazer. Colheremos a escolha do agora, inevitável. Será isto, previsto. O caminho é sempre para frente, um trem não tem escolhas, e aqui nos colocamos de passagem. Amadureceremos na dor, não na culpa. Teremos novas mãos entre as nossas. Nossos planos conheceram seus nomes, nossos filhos não reconhecerão nossos rostos. Nosso amor não conheceu a vida, ficará sempre por nascer, prematuramente.

Cáh Morandi (com adaptações)

Devaneios em série.

02/05/2013 § Deixe um comentário

69

Uma folha em branco. Um café em uma xícara. O barulho do vento batendo na janela, uma voz rasgada saindo da caixa de som ao ritmo calmo de um violão dedilhado. No meio disso tudo e desse todo que não significava nada, Ester tentava escolher quais palavras iria usar dessa vez.

Como dizer tudo que sentia? Tudo que deixara de sentir? Tudo que não sabia se sentia?

A certeza é a dúvida mais cruel. Ela castiga quem a julga possuir, e tenta persuadir quem não a deseja. Dentre as manias de Ester, a que ela mais considerava dispensável era isso: sua fraqueza pelo certo. Não pelo certo como padrão em seguir regras pré-impostas por uma sociedade ultrapassada e hipócrita, mas sim o certo de… plano. De decisão. De “sim é sim, não é não”. De é para ser.  A insônia de não saber como sua vida prosseguiria dali para frente era muito mais incontrolável que qualquer saudade, que qualquer dúvida.

Mas há a saudade. Essa era sua outra mania detestável, também. Que bobeira é essa que o ser humano tem de sentir falta de alguém? E de alguém que… de certa forma nunca teve? Ou teve sem saber? Sei lá.. Ester banhava-se nesse sentimento nostálgico que é a ausência daquilo que desejou. Na verdade, a mania mesmo estava em sentir saudade de uma ideia criada para abastecer um sonho, uma carência, um vazio. Mas, bem, a saudade estava ali, de qualquer jeito.

Agora o mais dispensável de todos os erros humanos é sua incrível habilidade em se apaixonar. Ester era péssima nisso. Tinha paixões que duravam anos. Quase uma vida. Mergulhada em romances pré-modernos, querendo escrever em cadernos velhos linhas tortas de amores medievais.

Tudo é vício. É difícil conviver com uma mente tão inquieta e um coração tão contraditório. E se torna ainda mais difícil quando tudo isso resolve se estabelecer na mente de Ester de uma só vez, em uma noite fria, com música e café na xícara. Todas as manias, todas as paixões, todas as saudades. Todas as incertezas.

No fundo do último gole preto de coragem, Ester pega o telefone e resolve deixar os dedos dançaram pelos números que trazem a voz de um olho castanho do outro lado da linha. No fundo da última poça de sanidade e vontade, Ester fecha a alma, como quem tenta abafar uma tempestade com uma toalha quente. Quem disse que problemas antigos precisam ser resolvidos? Aliás, quem disse que não há certeza no silêncio de alguém que não consegue falar?

Ester levanta, vai pegar outro café. Deixa o coração esticado no chão, como se pensasse em voltar a usá-lo.

Mais uma mania horrível: esperança. E assim ela vive um amor marcado e um amor pra toda vida.

Onde estou?

Você está navegando em publicações marcadas com saudade em ...O Vôo da Libélula....

%d blogueiros gostam disto: