A morte

18/07/2016 § Deixe um comentário

A morte por si só, é uma piada pronta!
Morrer é ridículo.
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e, no meio da tarde morre. Como assim?
E os e-mails que eu não li?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram essa idéia:
MORRER !!!
A troco de quê? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio, estudando fórmulas químicas que não lhe serviram para nada , mas se manteve lá, firme, fez provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir, para estudar para o vestibular, mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas, era hora de decidir, e mais uma vez você foi em frente…
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na rodovia expressa, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis.
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música favorita.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas.
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: – Das minhas coisas cuido eu!
Que pegadiça macabra: Você sai sem tomar café e, talvez nem almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e, morre num sábado de manhã.
Isso é pra ser levado a sério?
Tendo mais de 100 anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo.
Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
Ok, hora de descansar em paz!
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.
E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem a menor graça!!!
Por isso viva tudo que há para viver.
Não se apegue as coisas pequenas, coisas inúteis da vida, perdoe….sempre!
Adiar…adiar….adiar………será sempre o melhor dos caminhos?


Pedro Bial

 Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ *******************Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ******************Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ

Apesar de ser uma piada pronta daquelas totalmente sem graça, a morte está aí e a todo instante leva alguém consigo.

Não tenho pressa de bater as botas, mas depois desses quase 3 meses internada, onde fiz um sem número de procedimentos médicos, 4 cirurgias, 1 punção nos pulmões, outras 2 no abdome e passei 12 dias na uti, lembrei que costumava falar para meus familiares algumas coisas que, sinceramente, acho que nenhum deles levava a sério. Então, achei melhor deixar por escrito, porque assim, talvez daqui a uns 65 anos, eles se lembrem que nem tudo era brincadeira (e que entendo mesmo como coisa séria).

Então, em primeiro lugar, deixo aqui registrado que sou doadora de órgãos e tecidos. Doem meus órgãos, se ainda prestarem para alguma coisa. Acho bacana a idéia de continuar viva em alguém.

Seriamente, quando eu morrer, não me coloquem rodeada de crisântemos nem de cravos, nem de qualquer outro tipo de flor. Não é porque morri que elas devam ser sacrificadas. Ao invés disso, plantem alguma coisa ao redor de onde eu estiver sepultada, será melhor. Plantem uma árvore! Um Carvalho, um Flamboyant ou um IPÊ. Ah! Ponham uma lanterna junto comigo, porque tenho medo do escuro. =P

Não entoem hinos, não cantem (nenhuma música do estilo “segura na mão de Deus”. pelo amor de Deus!) se quiserem fazer barulho, toquem a música I don’t Wanna Miss a thing (instrumental) do Aerosmith ou Ave Maria num violino (meu favorito), porque sei lá né, vai que alguém resolve colocar o CD inteiro do Elton John ou cantar a famigerada “Segure na mão de Deus”…

Não rezem aquelas mil e duzentas e oitenta e quatro orações que aquelas velhinhas da igreja gostam tanto de rezar. Orem um “Pai Nosso”, se preferirem – e agradeçam a Deus por mim, por ter permitido minha vinda a este mundo e por todo o tempo que passei por aqui e pelas pessoas que tanto me amaram.

Odeio ir a velório e não gostaria de ir nem ao meu. Então, não façam nada prolongado. Velórios são  cansativos e não acrescentam nada de bom.

Não se entristeçam com minha partida, ao invés disso, cuidem e apoiem os meus filhos, o meu marido, os meus pais, os meus irmãos, sobrinhos, amigos e também as minhas plantas e a Rebeca, que talvez seja “meu futuro e ex-bicho de estimação”.

Marido, reestruture sua vida e escolha alguém boa de coração, que goste sinceramente dos nossos filhos e cuide bem da casa.  Não os afaste da minha familia, permita o convívo com os primos. Amigos, esqueçam minhas chatices e lembrem dos nossos momentos juntos, com alegria. Isso me deixaria feliz.

De resto, não me preocupo com bens. Guardem apenas minhas jóias e dêem a minha filha, uma em especial – um anel solitário com uma pérola – ele é especial para mim. Façam o que achar melhor com o restante. Sem discussão e sem confusão.

E é isso.

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