A cor da saudade

12/03/2014 § Deixe um comentário

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Hoje li um conto que falava sobre a cor da saudade. Passei o dia a pensar nas conversas e histórias que compartilhava com minha querida tia (que nos deixou há exato um mês) e foi aí que me lembrei de uma história que, entre risos, ela havia me contado quando eu ainda era criança – a do pássaro que, ao receber cafuné, dormia e  caia do poleiro.  Ainda consigo ouvir o som da sua voz e do seu sorriso pintado com batom vermelho.

Enfim, não conheço a autoria do texto que li, mas, de qualquer modo, gostaria de  compartilha-lo com vocês.

A cor da saudade

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro encantado.
Ele era encantado por duas razões:
Não vivia em gaiolas, vivia solto,
Vinha quando queria, quando sentia saudades…
E sempre que voltava, suas penas tinham cores diferentes,
As cores dos lugares por onde tinha voado.

Certa vez voltou com penas imaculadamente brancas e contou histórias de montanhas cobertas de neve.
Outra vez, suas penas estavam vermelhas e contou histórias de desertos incendiados pelo sol.

Era grande a felicidade quando eles estavam juntos.
Mas, sempre chegava a hora do pássaro partir…
A menina chorava e implorava:
– Por favor, não vá. Terei saudades, vou chorar.

– Eu também terei saudades – dizia o Pássaro – mas vou lhe contar um segredo! Eu só sou encantado por causa da saudade. É ela que faz com que minhas penas fiquem bonitas e coloridas…
Senão você deixará de me amar.
E partiu.

A menina, sozinha, chorava.
Uma certa noite ela teve uma idéia: e se o Pássaro não partir?
Seremos felizes para sempre! Para ele Ficar, basta que eu o prenda numa gaiola. E assim fez.

A menina comprou uma gaiola de prata, a mais linda que ela encontrou.
Quando o pássaro voltou, eles se abraçaram, ele contou histórias e adormeceu.
A menina aproveitou o seu sono e o engaiolou.
Quando o pássaro acordou deu um grito de dor.
– Ah ! O que você fez? Quebrou o encanto. Minhas penas ficarão feias e eu me esquecerei das histórias.

Sem a saudade, o amor irá embora…

A menina não acreditou…
Achou que ele se acostumaria. Mas, não foi isso o que aconteceu.
Caíram as plumas e as penas transformaram-se cinzentas e tristes..
Não era mais aquele o pássaro que ela tanto amava…
Até que ela não mais agüentou e abriu a Porta da gaiola.

– Pode ir, pássaro! Volte quando você quiser…
-Obrigado – disse o pássaro – irei e voltarei quando ficar encantado de novo.

Você sabe, ficarei encantado de novo quando a saudade voltar dentro de mim e dentro de você.

Quantas vezes aprisionamos a quem amamos, pensando que estamos fazendo o melhor?

Pense. Deixar livre é uma forma singela de ver, ter…

Direcione o seu amor não para a prisão e sim para a conquista, sempre.

Quem ama, deixa voar.

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