Ainda não aprendi…

13/07/2011 § 2 Comentários

Hoje me fizeram a seguinte pergunta: O que você ainda não aprendeu?

Pois bem, depois de muito pensar e de sempre ouvir dizer que a “vida” ensina e que o “tempo” cura tudo, ainda restam certas coisas que a vida não fez o favor de me ensinar e que o tempo se atrasou e ainda não veio me libertar de questões que carrego há anos.

A vida me ensinou a perdoar os outros. Mas fez questão de me lembrar que a gente deve perdoar e esquecer. Minha memória é boa (até demais), sei quem pisou na bola. Até aceito que as pessoas errem uma vez ou outra (até porque ninguém é de ferro, não é mesmo?), desde que se arrependam com o coração, eu perdôo. Mas ainda não aprendi a perdoar-e-esquecer. Arrependimentos da boca para fora nunca me convencem, nem me comovem, apesar de quase já ter caído em ladainhas toscas sem fim.

A vida já tentou me ensinar a me perdoar também quando me arrependo de alguma coisa que tenha feito sem pensar. Me condeno. Me mando para a cadeia, para a solitária, como pão que o Diabo amassou. Cumpro minha pena e nem assim descanso – nem aprendo. E vira e mexe volto a me pegar a fazer a pensar nas mesmas coisas que, a pouco tempo me vi aos tropeços.

Também não sei pedir… Meu Deus, eu não sei pedir ajuda!

Nunca gostei de depender dos outros. E tem mais: não consigo dizer eu-preciso-de-você-agora. Sei que é simples, mas não sai. Algo me trava, a voz fica entalada.

Certas coisas não me deixam. Tendo a demonstrar que sou a “fortona” do pedaço, que consigo me reconstruir, me levantar sem dar a mão para ninguém. Não gosto de admitir nem assumir fraquezas nem de demonstrar a minha própria fragilidade. Eu sei que as pessoas fazem SOS a todo instante. Choram, pedem, imploram, suplicam. Não consigo. E isso aí também ainda não aprendi.

Não aprendi a chegar para a outra pessoa e falar tô-acabada-tô-precisando-não-vou-conseguir-sozinha. Sinto um terror só de pensar.

Ninguém nunca me disse que eu precisava ser forte. Um dia, sei lá quando, eu resolvi que ia ser e pronto. Acho que eu devia ter uns 15 anos…(talvez por conta de várias desilusões amorosa ou relacionadas a amigos que tive naquela época). Sempre fui aquela que ouviu todo mundo. Automaticamente achava que tinha que dar força para os outros e me sinto bem agindo assim, mas quando sou eu quem precisa, eu simplesmente não consigo pedir auxílio, uma palavra de conforto ou um abraço daqueles bem apertado, isso não  aprendi ainda.

É claro que mil vezes peguei o telefone chorando perguntando:”o-que-eu-faço?”. Mas isso já faz muito tempo e nunca deu em nada.

Meus assuntos sérios e profundos eu nunca aprendi a dividir. Penso que a vida é minha, o problema é meu, ninguém tem que ouvir minhas lamúrias, tristezas, coisas chatas e ruins. Penso que me viro sozinha. Penso que me resolvo comigo, que dou um jeito, e que eu consigo. Não aprendi a dividir minha vida “emocional” dessa forma ainda.

Não aprendi a desligar do mundo, a não tentar fazer tudo ao mesmo tempo, não aprendi a dormir direito sem pensar no que preciso comprar para a arrumação da casa, ou qualquer outra coisa que estou a precisar, não aprendi a tomar café sem pensar no que me espera no trabalho, não aprendi a sossegar meu pensamento e meu coração.

Não aprendi a demonstrar meu lado frágil, inseguro, apaixonado, cansado e, algumas vezes choroso.

Eu ainda não aprendi a parar de sentir falta de pessoas que foram importantes para mim, e que hoje vivem uma vida feliz por aí (sem mim).

Não aprendi a desistir completamente de algo que eu tenha começado, mesmo que eu esteja achando difícil ou quase insuportável de continuar.

Tenho mania de escrever em blocos e ter pelo menos um deles sempre dentro da bolsa. Tenho sentimento de posse, tenho ciúme, tenho medo de perder quem é essencial na minha vida. Tenho medo de me perder, por isso acendo todas as luzes e essas coisas ainda estou tentando aprender a contornar.

O tempo nem sempre cura tudo. Tenho feridas que já cicatrizaram, mas que insistem em latejar quando o dia está nublado. Tenho mágoas que já foram superadas, mas se lembro bem, se lembro forte, se penso nelas sinto doer – ainda. E dói, dói, dói como se tivesse acontecido ontem. Tenho vontades que nunca passam e isso nem o tempo foi capaz de mudar.

(ouvindo: Eu Nem Sonhava Te Amar Desse Jeito – Guilherme Arantes)

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