Adeus!

09/07/2006 § 3 Comentários

 

Esperei por ti um pouco, como sempre fazia quando te procurava, parei perto de ti e desenhei no ar nuvens de vapor quente respirando no ar gelado… tremia de frio… ou seria do nervoso miudinho de te ver novamente?…
Vens ligeiro, com o teu passo firme e decidido, levantas a cabeça olhas para o  lado, num gesto perfeito.
“-olá…” digo timida e desajeitada…
E a noite torna-se dia quando sorris e respondes… “-olá!”
Falamos de tudo um pouco nesses minutos, como sempre fizemos desde que nos conhecemos, como dois irmãos, dois amigos, como uma confissão que se rabisca num diário, sejam coisas importantes ou a mais trivial das banalidades…
Falavas em como ia ser melhor,em como era importante que eu entendesse o que tu querias me dizer… Eu…? Eu apenas escutava estonteada, demasiado zonza para esboçar uma reação…
Falavas com eloquência, da tua vida, do teu sentimento, eu escutava apenas os quilometros que te levavam, a ausência que já existia e o tempo… sabes… o tempo… apercebi-me agora do quanto ele por nós já passou, ao vislumbrar as pequenas rugas que se avizinham, ao tatear as primeiras que surgem…
De repente voltei, tu ainda falavas das novidades (curioso como são as coisas), eu apenas acenei com a cabeça, engoli a saliva seca na minha garganta apertada e balbuciei… se te faz feliz vai, se for o melhor para ti é tudo o que eu quero… encontra o teu caminho e não olhes para trás, sobretudo não olhes para trás para algo que não vale a pena… não olhes para trás para olhar para mim…
“-… entendes o que eu digo”… disseste… eu sorri e disse adeus…
Vi-te partir, descendo desajeitadamente as escadas e a entrar no carro que estava no estacionamento, ias a sorrir falando com os amigos, acho que nem reparavas  no que ficava para trás….

Voltei a ficar com tanta coisa para dizer, voltei a não dizer que te amava…
A noite voltou a ser noite, voltou a ficar frio… só cá fiquei eu, o teu perfume no ar e uma lágrima contida… adeus amor que partiste…

Adeus.

Afixo hoje pela última vez, um pequeno “conto”, fruto de um sentimento que tempos atrás me sufocava, que fala que eu perdi alguém … alguém que nunca me “pertenceu” de fato. Eu gostei de o escrever apesar de ter sido doloroso…apesar de tudo. Foi bom enquanto durou.

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§ 3 Respostas para Adeus!

  • Ricardo Jorge da Cunha disse:

    OS MILAGRES DA AMIZADE

    A amizade torna os fardos mais leves, porque os divide pelo meio.A amizade intensifica as alegrias, elevando-as ao quadrado na matemática do coração.A amizade esvazia o sofrimento, porque a simples lembrança do amigo é alívio.A amizade ameniza as tarefas difíceis, porque a gente não as realiza sozinho. São dois cérebros e quatro braços agindo.A amizade diminui a distância. embora longe, o amigo é alguém perto de nós.A amizade enseja confidências redentoras: problema partilhando, percalço amaciado; felicidade repartida, ventura acrescida.A amizade coloca música e poesia na banalidade do quotidiano.A amizade é a doce canção da vida e a poesia da eternidade.O amigo é a outra metade da gente. O lado claro e melhor.Sempre que encontramos um amigo, encontramos um pouco mais de nós mesmos.O amigo revela, desvenda, conforta. É uma porta sempre aberta, em qualquer situação.O amigo na hora certa é o sol ao meio dia, estrela na escuridão.O amigo é a bússola e rota no oceano, porto seguro da tripulação.O amigo é o milagre do calor humano que DEUS opera num coração.

  • Ricardo Jorge da Cunha disse:

    o que é a LIBERDADE????
     
     
     
    Liberdade é saber fazer. Liberdade é saber ouvir. Liberdade é saber crer.Liberdade é saber assumir.

  • Ricardo Jorge da Cunha disse:

    Falámos de palavras. Falamos com palavras. E sentimos a força das palavras. Palavras, leva-as o vento, diz o povo. Será? Pensemos um pouco nas palavras que lemos ou nos disseram e nunca esquecemos. Aquelas que nos atravessam a mente de quando em quando, provocando uma crispação de dor ou um sorriso. As vozes dos meus pais e algumas palavras que nunca esqueci. Os livros da escola e tantas palavras que decorei de tal forma que ainda hoje as sei : “Batem leve, levemente…”. As primeiras palavras de amor. Todas as palavras de amor ou paixão que significaram algo. Algumas de desamor que particularmente me feriram. As primeiras palavras das minhas filhas. As palavras dos livros mais lidos, dos poemas mais amados. Das canções que me marcaram. De…Tantas palavras que a nossa mente retém e que voltam à memória sem sabermos porquê! Será que o vento as levou? Não. Ficaram connosco, indelevelmente marcadas em nós. E provocam emoções diversas. Essa é a força das palavras. De uma forma ou de outra, estimular o nosso pensamento, os nossos sentimentos. E provocar uma qualquer reacção.

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