TAXIIIIII

06/07/2006 § Deixe um comentário

Tenho visitado uns blogs pela rede e confesso que me divertem imenso.

 Li qualquer coisa sobre taxistas…o que me fez reportar a algumas situações que vivi com esses “psicólogos” de plantão, nossos queridos e estimados taxistas, dignos de serem vencedores do Oscar ou do Prêmio Nobel.

Sou até uma, digamos, “assídua” utilizadora dos serviços de táxis, há aproximadamente 2 anos, essencialmente por motivos profissionais, deslocamentos até faculdade, a bares e lugares distantes enquanto morro de preguiça de esperar pelo ônibus…
Há uns bons meses atrás, tive que ir a faculdade, que fica razoavelmente longe do trabalho…uns 7 a 10 km. Onde trabalho, como toda repartição pública da esplanada o movimento dos táxis é também por turnos e muito difícil arranjar algum depois das 20hs. Nesse dia para mal dos meus pecados, chovia torrencialmente, o que só piorava a situação.
Esmorecida com o panorama, pedi gentilmente à senhora da recepção que me chamasse um e fiquei de pé, junto ao balcão que fazia parte da “decoração” da recepção (que digamos muito rapidamente, não ser bem uma decoração), tentando encontrar algo que me distraísse no mínimo por meia hora.

Nem 5 minutos tinham passados quando a recepcionista se voltou para mim e me disse «- o seu táxi está a chegar é o nº blábláblá ». Não queria acreditar na minha sorte, estava felicíssima, depois de trabalhar um dia inteiro, era o melhor que  podia me acontecer.

Assim dirigi-me à porta e vi um táxi parado (um dos branquinhos, sim, aqui em Brasília os taxis são pintados de branco). Aproximei-me, e reparei que o taxista também tinha me visto, pois saiu do carro e teve a gentileza de abrir a porta. Quando estava mais próxima percebi que o táxi «maravilha» era bem velhinho e o meu «taxista» cavalheiro, tinha assim que um aspecto caricato. Cabelos escuros compridos cheio de pontas, lustroso (no sentido pejorativo). Tenho uma mania de olhar para as mãos dos homens, e quando o fiz, o meu pior pesadelo estava lá, a «unhaca grande» do dedo mindinho, que segundo consta é melhor que qualquer canivete «suisso». Pensei «-meu Deus! Devo ter ficado com o taxista que ninguém quer».

De qualquer forma, mesmo intimidada com o panorama geral, tentei não demonstrar, e dirigi-me para a porta que estava aberta. A pista, perto da calçada estava “quebrada” e eu ia distraída, a pensar no taxista que me tinha calhado na sina. Devo ter «trocado» os pés e o saltinho do meu sapato encalhou no meio das rachaduras. Vi-me assim a entrar em voo dentro do táxi. A sorte é que ia de sapatos razoavelmente baixos e de terno, caso contrário, teria sido a «morte do artista», bom pelo menos para mim. O taxista nos primeiros minutos ficou a olhar para mim espantado, depois quando me viu a levantar-me e a ajeitar-me no banco, fechou a porta enquanto me dizia: «-Já vi que a senhora está com pressa».

Eu ia para a Qd 504/704 Sul, e assim o informei. Quando a «lata» começou a andar (leia-se «lata» em substituição de táxi), confesso que me assustei, o barulho era tanto que mal conseguia ouvir o que o taxista me perguntava. Ao fim de uns bons minutos habituei-me e comecei a prestar atenção á conversa :

– Então a senhora é daquelas do jornal???

-Jornal??? (enquanto dava um sorriso amarelo)

– É! Daquelas que fala no jornal??

– AHHH jornalista? Não, não sou…

– Sabe, este aqui é meu meio de vida, tentei arrumar mas acho que continua com problemas. Olhe, aí não há cintos, segure-se bem!!!

Confesso que já ia preocupada, porque a conversa era toda feita com uma mão no volante e o pescoço todo torcido para trás. A partir desse momento, comecei a falar por monossílabos «sim» e «não». Mas nem assim ele dava como terminada a conversa. Percebi que o monólogo era uma arte daquele senhor.

– Sabe que isto ainda anda? Quer ver????

Antes que eu pudesse dizer não (tenho pavor de velocidade), já tínhamos-nos lançado numa corrida, enquanto ele se voltava para trás e perguntava:

– Ahhhh não tá com medo não??? ( e o pescoço torcido para trás a espera da confirmação).

Eu abanava a cabeça. A partir desse momento pensei, “hoje foi meu último dia de vida”. Confesso que murmurei uma ave-maria.
Mas a melhor revelação estava para vir. Passámos perto do Setor Comercial e ele, torceu novamente o pescoço e disse-me:

– Sabe uma coisa? Eu já trabalhei aqui. Olhe… esta região é um tanto perigosa para se andar a pé, mas a senhora comigo tá segura . São todos meus amigos.

Aqui comecei a rezar um Pai Nosso, e pensei, “fiquei com o taxista psicopata”, deixei de lado  parte dos monossílabos e emudeci. E comecei a transpirar, estava mesmo assustada!!!
Finalmente chegamos ao destino, tirei o dinheiro para pagar, disse boa noite, e sai o mais rápido que consegui. Mas ainda tive tempo de ouvir:

«- Muito obrigado minha senhora, olhe esqueceu-se de me dizer, qual é seu nome?”. »

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