Saudade do mundo (que vejo)

20/07/2013 § Deixe um comentário

(Para E.R.C)

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Há saudades que caminham comigo aconchegadas num lugar gostoso que a memória tem. Sei que estão lá, mesmo quando demoro um bocado de tempo para apreciar as histórias que me contam. São porta-jóias que guardam encantos que não morrem. Caixinhas de música, que, ao serem abertas, derramam melodias que me fazem dançar com elas de novo. São saudades capazes de amenizar o frio de alguns instantes com os seus braços de sol. Mas existem também saudades que pousam no meu coração de vez em quando e ficam de lá me olhando com aquele olho comprido. Falam de lugares, pessoas ou épocas da minha vida. São espelhos que refletem feições conhecidas. São saudades que entornam perfumes que somente a alma reconhece. Que sobrevoam regiões por onde apenas as emoções caminham. Que destampam ausências que a gente algumas vezes prefere ignorar. São saudades de um mundo que tem cheiro de quintal lá da infância da gente. Que é macio para todos os seres que nem lençol recém-trocado. Que tem o timbre de voz amada quando toca o nosso ouvido. Um mundo bacana onde as pessoas têm clima de passeio. Onde não existem armas, visíveis ou não. Onde a gente vive com o sentimento de estar brincando de roda uns com os outros: se um leva um tombo reflete na roda inteira. São saudades de um mundo contente feito céu estrelado. Feito flor abraçada por borboleta. Feito café da tarde com bolinho de chuva. Onde a gente se sente tranquilo como se descansasse num cafuné. Onde, em vez de nos orgulharmos por carregar tanto peso, a gente se orgulha por ser capaz de viver com mais leveza. Um mundo onde as pessoas confiam umas nas outras, não pode ser de outro jeito se estamos em família na humanidade. Um mundo onde a culpa deixou de ser uma desculpa para não sermos felizes. São saudades de um mundo onde o respeito não tem cheiro de mofo: todos somos iguais e todos somos diferentes e isso é claro, natural e indiscutível. São saudades de um mundo que lembra a pureza de amarelinha desenhada com giz no terreno da escola. Que lembra a alegria de chegar no céu quando a gente pulava amarelinha. Que lembra a melodia gostosa da risada do amigo. Saudades de um mundo sem hipocrisia. Sem diz-que-me-diz-que. Sem jogo. Ninguém quer ferir ninguém, por nenhum motivo. As boas intenções são mesmo boas. Há em cada pessoa um cuidado, um bem-querer, um zelo amoroso, com relação a todas as outras, porque essa é a natureza do coração humano. Um mundo onde todas as formas de vida são abençoadas por todas as formas de vida. São saudades de um mundo onde a gente pode falar de coisas inocentes sem temer parecer ridículo. Onde podemos ser sensíveis e expressar a nossa sensibilidade sem sermos olhados como vítimas de uma doença grave. Onde a busca pelo conforto da alma é tão necessária quanto a busca pelo conforto do corpo. Onde podemos caminhar pelas ruas, descontraídos, sem temer ser atacados por outro ser humano. Um mundo no qual, em vez de propagar o medo, as pessoas utilizam a sua energia para propagar o amor. Saudades de um mundo que às vezes eu sinto tão intensamente que já parece de verdade. Já parece existir, de alguma forma. Um mundo no qual habito toda vez que eu o vejo.

 

 

(Ana Jácomo)

<3

08/03/2013 § Deixe um comentário

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“E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.”

É primavera!

22/09/2012 § 1 Comentário

Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui.”

(Ana Jácomo)

É primavera!

Época de chuva, de contemplar o retorno do verde e das flores, de observar as árvores de folhas cor-de-rosa (que por acaso ontem descobri que tem o nome de ‘Sapucaia’) , de ver as lindas lagartas coloridas nos jasmins-manga e de ouvir as benditas cigarras a cantarolar em Brasília.

É  época de ouvir muitos cantos de pássaros, de ver as pequenas abelhas no jardim da minha casa e  é também o nome de uma das obras mais bonitas de Vivaldi (que eu adoro!).

É época de detestar fazer compras no shopping. Sim, porque para aqueles que já me conhecem, sabem que eu adoro a moda do inverno. Que sou meio ‘monocromática’ e que estou longe de ser adepta as estampas escalafobéticas desse período. Mas isso é o de menos.

Eu amo a primavera! Amo poder contemplar diariamente as mudanças que acontecem no clima, na vegetação, no ânimo das pessoas; de comprar ou receber  flores.

Que venha a primavera!

Leve! Suave! Calorosa!

Que venha encher de cor o dia-a-dia e iluminar os corações gelados.

“Tenho aprendido”

05/10/2011 § Deixe um comentário

Na própria pele

15/09/2011 § Deixe um comentário

Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo convivendo com tantas perguntas que o tempo não respondeu e com a ausência de qualquer garantia de que ele ainda responda. É me sentir confortável, mesmo entendendo que as respostas que tenho mudarão, como tantas já mudaram, e que também mudarei, como eu tanto já mudei.

— Na própria pele – Ana Jácomo

Lembrar com amor…

26/07/2011 § Deixe um comentário

Lembrar com amor é oferecer, no coração, um sorriso que se expande. É um jeito instantâneo e poderoso de prece. É um modo de abraço, não importa o aparente tamanho da distância, nem as enganosas cercas do tempo. Lembrar com amor é levar a vida, no exato instante da lembrança, ao lugar onde a outra vida está e plantar uma nova muda de ternura por lá.

…o que dá trabalho

02/06/2011 § Deixe um comentário

‘…o que dá trabalho mesmo é viver sempre do mesmo jeitinho. Pois eu quero mais dessa maluquice que me ajuda a reinventar maneiras de estar aqui. Porque para se estar aqui com um pouco que seja de conforto na alma há que se ter riso. Há que se ter fé. Há que se ter a poesia dos afetos. Há que se ter um olhar viçoso. E muita criatividade’

Se…

21/03/2011 § Deixe um comentário

“E se não quisermos, não pudermos, não soubermos,

com palavras, nos dizer um pouco um para o outro,

senta ao meu lado assim mesmo.

Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra

até nascer aquele sorriso bom que acontece

quando a vida da gente se sente olhada com amor.

Senta apenas ao meu lado

e deixa o meu silêncio conversar com o seu.

Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.”

(Ana Jácomo)

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